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Como ser levado a sério se não levamos nada a sério?

Atualizado: Mar 12

Algo com a democratização da internet e da popularizada “minha opinião” tem me chamado muito a atenção. E é sobre esse tema — o do título — que proponho uma reflexão. Já perceberam que não importa qual seja a notícia, de política à tortura há sempre pessoas ironizando ou “fazendo brincadeiras” sobre o assunto?


Notem bem: pessoas ironizando e “brincando” com o ato mais perverso que qualquer ser vivo já foi capaz de criar — a tortura. Ao lado dela está a guerra, um assunto que está em pauta já no início de 2020 e que foi alvo de um bombardeio de “memes” e “piadinhas”. Muitos justificam suas “brincadeiras” dizendo que as fazem porque isso não vai acontecer de fato. Possivelmente não vá, mas isso não muda o fato de não estar se levando a sério algumas das maiores perversidades já criadas no universo: a guerra e a tortura.


A política, algo que até pouco tempo tínhamos pouquíssimo ou nenhum conhecimento e que finalmente estamos começando a nos dar conta de sua importância, mas que zoamos o tempo. Ridicularizamos os direitos das crianças e os direitos humanos, muitos por não entendê-lo ou conhecê-lo de fato, quando na verdade são fundamentais para que nossa sociedade seja mais funcional e tenha menos abismos entre classes e pessoas.


Até mesmo uma das criações mais nobres do ser humano — o humor — está sendo usado de uma forma adoecida. Quando transformamos algo bom em algo disfuncional, ou naturalizamos a perversidade com ironia, há algo de nossa sociedade que não está nada bem. Estamos adoecidos e isso precisa ser dito, precisa ser analisado para que possamos tornar esses sintomas em algo mais saudável e funcional. Para o bem de todos nós.



Como ser levado a sério se não levamos nada à sério?


Enquanto ridicularizamos coisas tão perversas como a guerra e a tortura e não damos importância para a política e as questões tão cruciais para nossa saúde mental, o bom funcionamento da sociedade e o crescimento do nosso país, ninguém mais vai nos levar a sério.


Precisamos ser um país mais sério. Um país que olha para os seus defeitos com o objetivo de melhorá-los, não apenas reagirmos com um “haha” e continuar rolando o feed de notícias das nossas redes sociais. Precisamos ser mais inteligentes que isso. Somente assim seremos levados a sério.


Estetexto é uma crítica a todos nós, cidadãos, e me incluo nele. Por vezes ri de coisas que no fundo não tem graça nenhuma. Precisamos ser mais críticos com o nosso humor. Tem assuntos que não podemos levar na brincadeira. Tem assuntos que temos o dever de levar a sério para a nossa própria segurança e saúde.


Faça um exercício consigo mesmo: o que acontece com aquelas pessoas que brincam com tudo, fazem piada de tudo, não levam nada a sério e precisam de ajuda, compartilham algo que está incomodando, tentam desabafar com você? Você consegue levá-lo a sério desde o início? Não precisa confirmar, diversas vezes, se ele está falando sério mesmo? Se ele não for próximo de você, pior ainda. Agora imaginem a nossa imagem para o resto do mundo. Por mais de uma vez viralizamos por sermos uma fábrica de “memes”. Qual imagem isso passa para o resto do mundo sobre nós?


Somos um país subdesenvolvido. Somos um mero conhecido para o resto do mundo. Muitos acreditam que o país é só florestas. Eles não conhecem quase nada sobre a nossa realidade. O turismo do nosso país é carnaval, futebol e prostituição. Eles veem a gente ironizando tudo o que acontece no nosso planeta. Precisamos ser melhores. Precisamos conquistar o mundo. Nosso país é lindo, rico e tem muita pessoa boa se esforçando para ele crescer, prosperar e ser um lugar melhor para viver.


Como ser levado a sério se não levamos nada a sério?


Átila Amorim Psicólogo, COO e Co-founder da Iniciativa Eyes

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